Como pensam os eleitores de Jair Bolsonaro, candidato do PSL

“Bolsonaro é coerente” – Gilson Trennepohl

58 anos, presidente da Stara, fabricante de equipamentos agrícolas em Não-Me-Toque

“Como empresário, e até por não ter nenhuma facilidade, eu nunca, nunca, nunca, nunca me envolvi em política. Nada. Nem para candidato a prefeito aqui na nossa cidade (Não-Me-Toque). Comecei a votar em 1978, olhando o momento, votando no Pedro Simon. Mas não entendia nada. Vamos falar a verdade: era analfabeto politicamente, talvez como seja hoje. Porque não vivo a política, sou um mero contribuinte e um indivíduo dentro da sociedade que, com o tempo, começa a ter posições. Talvez antes nem tivesse tempo para pensar.

Nunca votei por partido. Nas votações para presidente e para governador, em grande parte perdi, porque votei errado. Votei em quem perdeu. Falando em governo federal, desde 2002 nunca votei no PT, então nos últimos anos perdi todas. Em 1989, o primeiro voto foi no (Leonel) Brizola. No segundo turno, era (Fernando) Collor e Lula. Votei no Collor. Depois, quando era Lula contra o Fernando Henrique, foi no Fernando Henrique.

Não é contra o PT, mas não concordo com a esquerda que quer estatizar, fazer um Estado gordo, inchado. Não é o partido. Se for PT, PSOL, até o PSDB, qualquer partido que tenha essa visão de fazer o Estado comandar, em vez da iniciativa privada, vou achar um erro crucial. Sempre pensei que a iniciativa privada é mais competente, mais ágil e dá mais resultado para o país.

O PT teve a oportunidade de fazer o país crescer e se consolidar. Mas teve um projeto mais de poder do que de crescimento. Criamos o que é a maior desgraça do país: institucionalizar a corrupção.

É só o PT? Não. É PSDB, PMDB, é tudo. Não botaria a minha mão no fogo por nenhum partido. Hoje, é preferível o cara falar que é assaltante do que falar que é político. É menos pejorativo.

A raiva que o povo tem hoje é de todas as camadas políticas. É por isso que eu, neste momento, estou disposto a correr um puta de um risco, e abrir meu voto para Jair Bolsonaro, sabendo que ele foi apenas deputado, não teve experiência em gestão. Mas só pelo fato de ele não ter se aliado, não ter se juntado, não ter aceitado nada, como fizeram os outros partidos, já faz dele uma alternativa mais confortável. É a primeira vez na vida que apoio um candidato.

Tenho viajado bastante pelo Brasil e conversado com amigos. A indignação é geral. Tenho um grupo de WhatsApp com pessoal de todos os Estados, e o pessoal ficou eufórico quando foi lançada a campanha do (Geraldo) Alckmin. Talvez eu tenha sido o único a dizer que era o fim da picada todas aquelas alianças, porque traduziam mais uma vez o continuísmo e o corporativismo. Mesmo sabendo que ele foi um gestor com experiência e que não deixou um rastro negativo, nesse não ia votar, porque olhava para os outros em quem ele estava grudado. Por isso, acho que o único grito hoje é o 17. Os outros todos são farinha do mesmo saco.

Pode ser um risco. Mas pior do que está, acredito que não fica. Mesmo que possa ter algum perigo, alguma coisa acontecer, muita gente boa está do lado do Bolsonaro. E se ele nos ouvir, com certeza não vai fazer cagada.

Eu me encontrei com Bolsonaro no Agrishow de Ribeirão Preto, em abril.

Ele perguntou o que precisamos no setor. Eu disse: “O que precisa, deputado, é que o governo não interfira”. Nessa conversa, bateu o santo. É um cara simples, humilde, no mesmo espírito que nós somos.

O cara não é bundão, estava lá no meio de todo mundo. Esse é o grande segredo. Todos os candidatos que vieram conversar comigo, de uma forma ou de outra, pediram contribuição para a campanha.

O único que não pediu foi Bolsonaro. Nessa conversa que tivemos, perguntei: “Você precisa de alguma coisa lá no Rio Grande do Sul, que eu possa fazer?”. Ele disse: “Preciso. Preciso de voto”. Para mim, essa é uma diferença grande.

Vamos ter de fazer grandes reformas, tomar decisões duras. Alguém terá de tomar essas medidas duras, senão vamos virar a Argentina, não precisamos nem falar da Venezuela. E não tenho dúvida de que a pessoa para fazer isso é Bolsonaro. Porque ele não tem o rabo preso. Você só pode tomar uma decisão quando não tem rabo, porque, se tiver rabo, na primeira os caras pisam em cima e você se acadela.

Mesmo que politicamente possa não ser o certo, ele é coerente nas coisas que diz. Manteve a mesma linha, e poucos políticos podem dizer isso. (A defesa que ele faz da ditadura militar) tem a ver com circunstâncias e momentos. Você não leva rosa para uma guerra. Eu não sei se o regime militar estava certo. Sei que muita gente sofreu e sei que muita gente levou vantagem também, se colocou como perseguido e levou muita, muita vantagem. Mas isso já foi, e não acredito que o Exército vai intervir, que vai ter golpe, que a democracia está em risco. O Brasil passou essa fase. Com Bolsonaro, não tem esse risco.

(Machismo e racismo) não vi nele. Estão procurando chifre em cabeça de cavalo. Aqui na Stara temos muitas mulheres que ganham mais do que o homem, e não é justo que elas ganhem a mesma coisa, só para igualar salário. Tem mulher muito mais competente do que os homens. A nossa gerente de marketing, por exemplo, dá de chinelo em muito cara que conheço. E é mulher. Também não interessa se é negro ou amarelo, se tem olho verde. É competência pura. Não temos de ter divisão de classe.

Não sei por que temos de ter cotas raciais. Aqui na empresa, quem quer trabalhar pode começar amanhã de manhã, se tiver lugar. Branco, negro, amarelo, alemão, italiano. É tudo igual. Era tão bom ir no futebol, jogar bola com teu parceiro e pedir: “Ô, negão, me passa a bola”. E ele responder: “Ô, alemão vermelho”. Hoje esse politicamente correto está muito fresco.

O que o Bolsonaro traz de mais importante é a educação. A escola não fala mais de matemática, passa os alunos sem fazer prova. Fui no Exército e foi um ano espetacular. Aprendi a respeitar. Não sei se vão militarizar as escolas, mas precisa de uma educação um pouco mais rígida. Quando aluno caga de pau o professor, está errado. Vou falar mais: acho que temos de voltar a botar os alunos de joelho, como aconteceu comigo. Nunca me caiu pedaço.

Tenho falado que a hora de escolher é agora. Coloquei um áudio no WhatsApp, abrindo o voto, e isso se espalhou. Respeito a opinião de todos, e eles têm de respeitar a minha, não é? Não é porque sou o dono da empresa que não posso opinar.”

“Bolsonaro é do certo” – José Carlos da Silva Goulart

72 anos, cozinheiro aposentado, morador da Vila Cruzeiro do Sul, em Porto Alegre

Eu tenho candidato, é Bolsonaro.

É o melhor, por essa esculhambação que está aí, pelo Lula ladrão. Ladrão. Nunca votei nesse tipo de gente. Tenho pavor. Me arrependo até hoje de que votei na Dilma (Rousseff, ex-presidente). Tenho 72 anos, Lula é um ano mais velho do que eu. O filho dele nasceu milionário. E eu estou até hoje pobre na minha vida. Só tem ladrão.

Não tenho ódio de ninguém, mas é a incompetência de um homem que se diz pobre e hoje é bilionário, que diz que resolveu o problema do povo e não resolveu nada. Resolveu só roubar.

Ele está no lugar certo agora. Acho que a mulher dele morreu de desgosto, de ele ser tão ladrão. Ele se defende só acusando a mulher dele, não é capaz de dizer: “Eu roubei, sou ladrão”. Nem hombridade ele tem.

Bolsonaro é um homem de Exército, de coisas mais certas. Pagamos impostos astronômicos. É IPTU, água, luz, é um absurdo de dinheiro que estamos botando aí. Se ele melhorar a segurança, que nós não temos… Não posso ter certeza sobre Bolsonaro, porque não conheço a pessoa em si. Mas ele é do certo, é um homem mais de elite, que vai ser capaz de resolver, acho. Dos outros candidatos, não simpatizei com nenhuma ideia deles.

Acho que Bolsonaro vai mexer primeiro nesse negócio da bandidagem. Vai ser mais rígido. Nunca existiu na vida do Brasil tanta bandidagem quanto existe hoje. Quebraram minhas telhas, entraram aqui dentro, levaram um monte de bebida, um CD que tinha, com gravador, tudo. Isso me revolta. Não temos segurança.

Os contrários falam mal de Bolsonaro, mas Jesus veio à Terra e agradou? Quem é que matou Jesus? Fomos nós mesmos. Ele não tem preconceito, tenta ser um cara correto e certo. Ele diz aquilo que pensa. Lula, não, Lula é um coitadinho da vida, o maior ladrão que já tivemos neste país. Nem o (ex-presidente Fernando) Collor de Mello chegou aos pés dele.

Preconceito? Não há contra a idade? O velho tem valor no Brasil? Não tem. O cara de 50 anos não tem mais serviço. Estão importando esses venezuelanos lá do Exterior. São tudo gente boa? Está saindo na TV. Mataram um brasileiro para assaltar. Estão invadindo o Brasil. É tudo gente boa? Não sou cidadão brasileiro mais, passei a ser uma merda aqui no Brasil. E tem um monte de bolivianos em Canoas e Esteio, tem esses africanos, pra quem eles dão dinheiro. Aí lhe pergunto: não é preconceito contra o brasileiro, isso aí? Brasileiro não tem mais valor. O cidadão perdeu o valor, a dignidade. Ser honesto hoje é imundície.

Em 72 anos, não tenho uma entrada na polícia. Graças a Deus, nunca roubei, nunca matei, nada. Mas perdi o meu valor. Direitos humanos dá valor a quem? A vagabundo, a ladrão, a bandido. Se levar um tiro, os direitos humanos não vêm saber quem me deu o tiro. Mas se for um vagabundo, vou para a cadeia porque ele é cidadão.

Não época de 1964, tinha lei. Tinha obrigações. O cidadão era respeitado. Hoje o cidadão virou esterco. Não digo que o regime militar era melhor. Mas tinha mais vergonha na cara. A polícia era respeitada. Hoje em dia, a polícia está com uma pistolinha assim, e o vagabundo com metralhadora. Em 1964, isso não existia. Não sou a favor de ditadura. Porque também fizeram injustiça. Mas tem de ter respeito. Não entendo essa palavra direitos humanos. É só para vagabundo.

Por isso vou votar em quem acho que é menos ruim. Para mim, tudo é uma merda. Bolsonaro é um pouquinho melhor.

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