Descontentes, caminhoneiros enviarão carta a pré-candidatos à Presidência

Com a frustração de muitos caminhoneiros com o governo Jair Bolsonaro (PL) e o apoio dado pela categoria ao então candidato Bolsonaro a presidência em 2018 após o mesmo gravar um vídeo se compromissando com os Caminhoneiros e o que não aconteceu após ser eleito, entidades que representam a categoria decidiram procurar os pré-candidatos à Presidência da República em 2022. Líderes enviarão uma carta apresentando as reivindicações proposta quando da paralisação em maio de 2018 e unificadas na CARTA DE BRASILIA em 18 de setembro último que foi a primeira reunião após as manifestações  de sete de setembro contra o STF e o Congresso Nacional que foram rechaçadas pela categoria. Pedirão que os possíveis presidenciáveis se posicionem sobre temas como o piso mínimo do frete e a Petrobras.

O texto foi discutido neste sábado, em reunião realizada por líderes caminhoneiros no Rio Grande do Sul, durante o terceiro encontro oficial da categoria. Também após o primeiro encontro ocorrido no dia 18 de setembro do corrente ano, em Brasília, houve a segunda edição, em 16 de outubro no Rio de Janeiro quando a categoria decidiu entrar em estado de greve.

Na carta, os caminhoneiros querem abordar temas como piso mínimo de frete, jornada de trabalho, aposentadoria especial, pontos de parada e sobre política de preços e privatização da Petrobras. “Falaremos da Petrobras como um todo, não só dos preços. É a maior empresa pública do país. Não tem como vender e ficar refém do mercado internacional”, disse o diretor da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística), Carlos Alberto Litti Dahmer. “Pediremos que todos os possíveis candidatos declarem publicamente se apoiam ou não a pauta dos caminhoneiros porque, em 2018, Bolsonaro disse que apoiava e isso não deu em nada”, afirmou o deputado Nereu Crispim (PSL-RS). Ele é o Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Caminhoneiro Autônomo e Celetista no Congresso Nacional. Segundo o deputado, “os caminhoneiros representam 2 milhões de votos que podem ajudar a definir as eleições”.

Plínio Dias, Presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas, disse que “ano que vem vai ser um ano muito decisivo para as nossas reivindicações e para a sobrevivência dos caminhoneiros, não existe sigla para caminhoneiros, somos apartidários e estamos unidos por uma causa”.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) também receberá o documento. No entanto, parte da categoria se diz “traída” pelo chefe do Executivo. Bolsonaro declarou apoio aos caminhoneiros em 2018, mas alguns deles dizem que não houve avanço nas principais pautas da categoria ao longo do atual governo.

A alta dos combustíveis é uma das principais queixas dos caminhoneiros e foi motivo de diversas tentativas de greve ao longo de 2021. No início de novembro, o governo recorreu à Justiça para barrar a paralisação, pedindo a proibição de bloqueios em rodovias federais e multas para os grevistas.

“A maioria dos caminhoneiros fez campanha para Bolsonaro em 2018, mas o resultado produzido por esse governo foi só atraso. Ainda há quem defenda o governo, mas a categoria é muito pulverizada”, disse Litti. “Boa parte da categoria se descolou dele, não tem mais identificação”, afirmou Crispim.

Além da carta aos presidenciáveis também foi elaborada uma agenda de encontros organizados em todos os estados do Brasil para os próximos meses. O próximo será no dia 19 de fevereiro em Goiânia. Hoje são mais de 800 mil caminhoneiros autônomos no Brasil, mais de 300 mil celetistas e cerca de 1 milhão de frotistas.

 

A reunião completa está nos links:

https://www.facebook.com/nereucrispim/videos/312477513906610

https://www.facebook.com/nereucrispim/videos/30055116198748

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